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Congresso reunirá ações de extensão e cultura de todo o Brasil na Unicamp

O evento pretende refletir sobre a relação entre universidade, sociedade e democracia



Texto: Gabriela Villen   Pedro Paulo De Jesus Silva |  Fotos: José Irani 

As atividades de extensão e cultura desempenham papel central no diálogo entre as universidades públicas e a sociedade. Seja por meio de projetos de extensão nas comunidades, em eventos culturais ou em cursos, a extensão e a cultura universitárias impactam profundamente a vida dentro e fora da universidade. A fim de conectar os diversos atores envolvidos nessas atividades e mostrar às comunidades universitárias e à sociedade o que vem sendo realizado, a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) da Unicamp está organizando seu 4o Congresso de Extensão e Cultura. O evento acontecerá nos dias 21, 22 e 23 de novembro, no Ginásio Multidisciplinar e no Centro de Convenções da Unicamp. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo formulário. Os trabalhos devem ser submetidos até 14 de outubro, e poderão ser expostos nos formatos: depoimento, apresentação, ou performance.


Para o pró-reitor de Extensão e Cultura da Unicamp, Fernando Coelho, o Congresso é uma oportunidade para dar visibilidade às interações entre universidade e sociedade que já existem, além de oferecer um ambiente propício à reflexão e proposição de soluções aos desafios  enfrentados. "A ideia é que esse evento seja uma espécie de feira, onde eu mostro tudo aquilo que eu faço e o impacto disso na vida das pessoas que estão envolvidas", destaca. “A Unicamp tem uma quantidade muito significativa e relevante de atividades de extensão e cultura, que estão em todas as áreas da universidade, embora muitas pessoas façam trabalho de extensão e não o reconheçam como tal. Incentivamos fortemente a participação de todos no Congresso”, pontua Coelho. 

Pró-reitor de Extensão e Cultura da Unicamp, Fernando Coelho

 

Programação

A programação do Congresso prevê a participação de personalidades ilustres como Boaventura de Sousa Santos, ​​Olgamir Amancia Ferreira e Ailton Krenak, refletindo sobre o papel da extensão, das ações afirmativas e do ensino superior na construção do tecido social.  "O ciclo de palestras deve nos ajudar a refletir sobre a extensão, a cultura e a democracia, no momento traumático em que a gente vive. É muito importante a universidade fazer esse tipo de reflexão, isso lhe devolve o protagonismo que ela precisa ter", afirma Coelho, chamando atenção para o tema do evento: "Democratização e Curricularização".


A inclusão da extensão universitária nos currículos de graduação, por resolução do Conselho Nacional da Educação, em 2018, impulsionou o processo de “curricularização”. “Ao integrar a extensão a nossa grade curricular, estamos dando ao aluno, que estamos formando, a oportunidade de entrar em contato com a comunidade. E esse contato tem o potencial de transformar o modo como esse aluno vê o conhecimento e sua atuação profissional”, destaca o pró-reitor. Para o Coordenador Geral de Extensão, junto à da Proec e presidente da comissão organizadora do Congresso, Luís Geraldo Pedroso Meloni, o principal desafio é oferecer vagas em escala. "Temos turmas de cem alunos. Então, teremos que oferecer vagas em  atividades de extensão para cem alunos. Alguns programas, como o UniversIDADE, comportam um grande  número de alunos, mas não são todos que conseguem", explicou.


Segundo Meloni, o Congresso busca trazer experiências bem-sucedidas nesse processo, como é o caso da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), experi^rncia essa que será  apresentada pela professora Ana Inês Sousa.  "Lá eles já estão bem avançados na implantação de um sistema dentro do sistema de matrículas, como se fosse a DAC [Diretoria Acadêmica].  Todas as atividades de extensão são oferecidas via sistema e os alunos têm liberdade para escolher disciplinas de extensão em qualquer  curso  da universidade", relata Meloni. 

Coordenador Geral de Extensão, junto à da Proec e presidente da comissão organizadora do Congresso, Luís Geraldo Pedroso Meloni

 


Da mesma forma, os programas e projetos apoiados pelos editais da Proec devem compartilhar suas experiências e trazer suas contribuições para o debate. Outra atração do Congresso serão as oficinas. A Ecobrinquedoteca e o Museu Exploratório de Ciências já confirmaram sua participação nessa modalidade.  


“A extensão é parte constitucional do tripé que sustenta a universidade pública no Brasil.  Pesquisa e ensino estão envolvidos todas as vezes em que se faz extensão. Não apenas nos impactos das pesquisas na sociedade, mas no impacto da interação com a comunidade nos termos e olhares diferentes para a pesquisa. Essa interação contribui, também, para mudar a forma como as pessoas pensam e se relacionam com o ensino e o aprendizado”, ressalta o pró-reitor.


Forcult

Simultaneamente ao Congresso e com programações compartilhadas, a Unicamp  sediará o VI Encontro Nacional do Forcult, o Fórum de Gestão Cultural das Instituições Públicas de Ensino Superior. O evento acontecerá de forma híbrida. "A ideia não é que seja apenas a transmissão do conteúdo presencial, mas que seja possível uma interação entre todos os participantes", explica Fábio  Cerqueira, presidente do Forcult. 

Fábio  Cerqueira, presidente do Forcult

"O Forcult realiza atividades durante todo o ano, por meio de suas Coordenações Nacional e Regionais, da Diretoria Executiva e também dos Grupos de Trabalho, e anualmente nos reunimos nesse grande encontro, para aprofundarmos as discussões sobre as pautas de relevância para a gestão da cultura nas Instituições Públicas de Ensino Superior", relata Cerqueira. De acordo com ele, o Fórum foi criado como um espaço de debate para a construção coletiva da melhoria das práticas administrativas da gestão e da produção cultural nas universidades. A programação do encontro conta com espaços para apresentação das atividades, que foram realizadas durante o ano, reuniões, mesas temáticas e uma assembleia, além das atividades artísticas. 


Segundo Cerqueira, alguns coletivos da Unicamp foram convidados para pensarem em conjunto uma curadoria coletiva para as atividades artísticas de ambos os eventos. "O convite foi feito pensando em dar protagonismo aos corpos que ocupam a universidade, mas que normalmente são marginalizados. Eles irão então pensar em ações que representem a presença desses corpos diversos aqui na Unicamp", explicou.